terça-feira, 25 de novembro de 2008


Tenho a ligeira sensação de exaustidão.Talvez seja de fato o cansaço físico-mental,ou a sensação de insatisfação que tenho constantemente.Outra hora,penso eu que seja o medo,o peso ou angústia ainda não declarados que me arrancam forças.
E todos os dias sinto a mesma coisa e realmente não sei por que tanta tristeza,tanto vazio e aquela dor que desatina sem doer.
As vezes a carência bate a porta (a carência de afeto,de tempo,de abrigo)mas com o tempo a gente tem a obrigação de ser forte,frio e seguir em frente.No fim todos os adultos são formados a base de cansaço e dores nas costas.
Ninguém entende (isso é real) e embora eu escreva nada será diferente.No fim são apenas palavras,vazias,estáticas e repetidas.
Afinal quais são as palavras que nunca são ditas?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Eu fico no meu canto
e nao me exponho
embora ponha a alma
na janela.
Eu fico de vigília
e não me espanto
mas cuido de observar e
às vezes
canto.

Pág. 5

* * * * *


Gosto de poema
que fala de ovo frito
latido de cão
e cheiro de queimado.
Poema que com pequenos cortes
vara as coisas pequenas
fura a casca
o odre
rasga a placenta
e deixa gotejar
o fino
sangue.

Pág.21


Fino Sangue - Marina Colasante

sexta-feira, 21 de novembro de 2008


Simplicidade.

Frutos do pomar, cheiro de grama, namoro de portão, domingo ao relento, segunda sem mau humor, sábado com os amigos, coca cola pra encerrar a tarde, viver sem inimigos, filme antigo na tv, ter uma pessoa especial (e que ela goste de você), música de Tom com letra de Chico, galinhada em pensão no interior, ouvir uma palavra amavél, ter uma surpresa agradável, noite de lua cheia, rever uma velha amizade, ter fé em Deus ou alguma coisa, rir como criança, ouvir canto de passarinho, sarar do resfriado, escrever um texto que nunca será rasgado, tomar banho de cachoeira, pegar um bronzeado, aprender uma nova canção, recordar um amor antigo,comer um doce de vó,apostar corrida no asfalto,fazer misto quente com requeijão,ter um ombro amigo,contar uma piada engraçada, dançar enquanto choro, óculos escuros em dia de sol, calçar um chinelo velho, sentar numa poltrona, tocar violão pra alguém, ouvir a chuva no telhado,embalagens de toddynho ao amanhecer.

... tudo que preciso.
"Penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom senso"
Vladimir Maiakovski

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ausência


Eu não estou fingindo.Eu estou cansada de ser...
Todos os homens quando chegam ao seu ponto culminante acabam explodindo mas eu não,eu não me encaixo no "todos",eu não grito como todos ou sequer os trato de maneira indiferente.Eu não posso ser assim.
Creio que esses são dias ruins,daqueles que vem e vão embora(ou dos que chegam sem licença e detonam com todas as forças existentes).Não posso justificar a minha ausência na minha própria vida,nem mesmo todas as crises de choro durante as manhãs de aula,ou os abraços apertados.Eu simplismente não consigo explicar.
Sobra-me a falta de tantas coisas.

Aos Nossos Filhos

Elis Regina - Aos Nossos Filhos
I. Lins/v. Martins
Perdoem a cara amarrada, perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço, os dias eram assim
Perdoem por tantos perigos, perdoem a falta de abrigo

perdoem a falta de amigos, os dias eram assim
Perdoem a falta de folhas, perdoem a falta de ar
perdoem a falta de escolha, os dias eram assim

E quando passarem à limpo, e quando cortarem os laços

E quando soltarem os cintos, façam a festa por mim
Quando lavarem a mágoa, quando lavarem a alma
Quando lavarem a água, lavem os olhos por mim
Quando brotarem as flores, quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos digam o gosto prá mim

domingo, 16 de novembro de 2008

Metade



Eu perco o chão, eu não acho as palavras
Eu ando tão triste, eu ando pela sala
Eu perco a hora, eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio
Onde será que você está agora?

Adriana Calcanhoto.