domingo, 12 de abril de 2009

Sangue pelo nariz


- De onde caiu essa gota?Já vi que aprontei alguma coisa! Foi o calor?Foi você?- disse eu ao espelho. Foi você né. Essa cara te condena, olhe pra você com esse rachado. Ninguém te quer, você está gordo, embaçado, sem graça e essa imagem que reflete parece estar pior do que é na verdade. São apenas gotas e as vozes dos seres sussurrantes. São as pedras que a gente encontra debaixo da cama, são os números que a gente desenterra anos após... É assim que o sangue pelo nariz.
–Natallya saia do banheiro!-disse minha mãe.
–Odeio quando ela me interrompe a linha de raciocínio. ¬¬

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O meu nome não importa.Para as pessoas eu sou apenas "esse Menino" ou "aquele Menino".
Então sou Menino e pronto.Quando eu for adulto,se continuar crescendo desse jeito,
será que vão me chamar de "esse Homem"?

Lya Luft

terça-feira, 7 de abril de 2009


Eu que habito em todos os medos do mundo, em todos os amores, rancores e credos.

Eu que nem sei o que digo e que me embolo toda após o fio da meada.

Eu cheia de receios, desejos e louvores. Coisa de quem sonha, de quem dorme

acordado enquanto faz viagens de ida.

Eu, incompleta e estarrecida pelo que antecede e pelo porvir

Pelo Deus que não conheço e pelo que conheço bem.

Pelo lençol que caí da janela enquanto fujo e pela mania de bater cabeça em crises

do labirinto.

Eu, neguinha cheia de estórias e contos não guardados no portfólio.

Eu que sou o centro da minha consciência, do meu juízo e que desmonto

meu quebra-cabeça.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Compondo entre a louça suja


Hoje a louça suja superou as minhas expectativas. Há algum tempo em tinha em mente a imagem de vários talheres e copos que batiam um agradável papo, até descobrir que eles não se davam tão bem assim. Fim da tarde aconteceu uma discussão entre eles, Srta.Dorita (aquela de madeixas alaranjadas) estava mantendo um caso com o Sr.Caneca de zebra que por sua vez era casado com a ilustre Sra.Colher de sopa.Como entre todos os amantes a briga foi feia,eu até tentei amenizar a situação afastando-os uns dos outros (não adiantou em nada). Foi uma gritaria danada, Sr.Garfo (o vendedor de frutas da esquina) precisou chamar a polícia,à postos estavam Garfo,Prato de porcelana e Pegador de macarrão (só os mais fortes) pra tentar conter a anarquia que a vizinhança escutava de longe. A noite terminou assim, um pouco chuvosa e escorregadia, copos e pratos espalhados pelo chão e com o Sr.Caneca acidentado.

domingo, 29 de março de 2009

Divagação.



Eu não me lembro mais das minhas inspirações, talvez,quem sabe,tenham sido afogadas num copo de cerveja que não tomei. Talvez tenham se encrencando em algum canto, relativamente perto da escada e lá ficasse até o dia se por. São apenas hipóteses, não teses, não teorias. São histórias que a gente compõe no fim de semana enquanto o Faustão reprisa pela nona vez “vídeo cacetada”, ou então durante a utilização dos momentos em que não estou tempo pensando em alguém, em alguma coisa ou nas contas do fim do mês. Enquanto eu me lembro vagamente das inspirações poéticas e das líricas me atrevo a entender a humanidade (apenas eu), mas também deixo um espaço à jovem que estava jogando fora sua vida naquela hora exata e eu (com a minha incapacidade notória) nada fiz. Talvez a inspiração tenha se despedido com a garota naquele momento, talvez tenha parado um pouco enquanto continuo minha busca incessante por um eu que está há algumas léguas de distância. Eu nem sei, pode ser. Pode ser que a inspiração esteja como uma Clepsidra, vazia e cheia (ao mesmo tempo) e principalmente, pode ser que ela esteja sendo formada, gradativamente.