sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Tem cowboy, boiadeiro e mulher pra todo lado


A cadeira estava vaga. Era um espaço não preenchido, desde que o pai se fora. Seu pai era uma figura honesta, cabelos grisalhos e fios clandestinos no pescoço acompanhavam a fisionomia carrancuda. Ele não estava morto, desaparecera assim, há seis meses, quando na cidade ocorreu uma festa de peão. Adorava o gado, o cheiro de esterco e a voz de narrador de rodeio. Cantarolava sertanejo caipira e música de raiz durante a maior parte do dia. Mascava capim com o canto da boca, tinha a barra da calça rasgada e usava um cinto de fivela antiquado que fora herdado do avô. Ninguém imaginava que um dia ele arrumaria suas trouxas e escaparia com um peão.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010


“A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias.” - Arnaldo Jabor

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010


Francamente, eu não sei. Sou paranóica mesmo, dessas com carteirinha e carimbo de autentificação. Frequentadora assídua de terapias em grupo e conversas em bar de esquina. Fã de música brasileira,de frases bregas e pessoas suspeitas. Não tem muito segredo pra lidar comigo, além de uma boa dose de humor e a cabeça no lugar, não há outros requisitos. Ah! Não é necessário ter experiência, adquirindo-me, no fundo da embalagem há uma manual de instrução para uso. Não preciso de muito espaço, apenas é recomendável que esteja em lugar arejado e sobre temperatura ambiente. Antes de obter é indispensável que se tenha às mãos uma folha de papel e muita criatividade, que tenha um guarda-chuva acessível para quando a chuva cair, que goste de lembrancinhas, assuntos estranhos e de crianças.

Não aceitamos devolução.

Edição limitada e única

Disponibilidade no mercado: nenhuma.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010


Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Oswald de Andrade