segunda-feira, 3 de novembro de 2008


Eu deveria escrever um livro.Com todas as confusões que me meto e as que ainda não tive oportunidade.Mas talvez eu não falaria sobre isso,talvez descreveria os frutos,um casal de amantes qualquer ou uma mesa de sinuca.
Eu deveria falar sobre as situações contraditórias,os botecos da vida e de como consegui arrebentar o meu pé pela trigésima vez consecutiva.Eu deveria parar pra dizer o quanto sou impulsiva embora perca grandes oportunidades por não sê-la.
Enfim,eu deveria gritar com quem não gosto,beijar o quanto posso mas como posso me arrepender amanhã,não faço. Ah! por que não faço?
Eu deveria dar logo uma saída pra essa zona que eu chamo de vida.
Chega!Vou ali por um momento arrancar os gritos que ainda guardo das tardes anteriores.

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Meireles

domingo, 2 de novembro de 2008


"O que se passa na mente de uma outa pessoa, alguém que você nem sequer vê, que provavelmente nem sequer está consciente da sua existência, que está envolvida com as questões de sua própria vida, não muda a pessoa que você é."

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Vamos pular o hoje?

...




vou sobreviver!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Algumas coisas.


Nem rola justificar minha ausência por aqui.Na verdade não me faltam palavras,embora eu não queira expressar com alguma finalidade as minhas idéias.
Acreditem não é deboche,é a ausência da sorte ou abundância do desvairado e imundo que me faz sacudir meus versos num ríspido mundo.
Tá certo (detesto essa expressão,caso não tenha dito),tá certo que sou tomada peculiarmente por um cansaço interminável,sem preliminares,estou me acabando de tanto pensar em algo inundado de energias negativas.E o tempo não está passando,estou com poucos anti-corpos e uma vasta agonia que já está se arrastando por noites a fio.
Foi-se o tempo em que um saco de balinhas resolvia a minha vida,daqui a pouco o céu vai se desabar em águas e eu ainda não me libertei dessa insônia maldita,desse devaneio todo. Ah!credo,estou perdendo o vocabulário (que já não era muito fino...convenhamos),estou a um passo de enlouquecer de vez,concorde comigo que isso sempre resulta num vazio inesperado seguido de uma gastrite crônica.Enfim,aquela conversa mole e banal de que as coisas podem piorar deveria ter sido levada a sério.
Detesto essa ironia toda,até pareço que luto contra a minha consciência para permanecer contrária aos planos que traço.Não me levem a mal quando digo que não me faltam palavras!
Infindas,permanecerão exiladas até que se comportem.Porcaria de palavras!
"Certo dia, atrasei-me ao voltar da escola e meus pais pensaram que eu havia sido seqüestrado. E aí entraram imediatamente em ação: alugaram meu quarto".


"Rio porque me lembro de quando iamos para o sitio
de carro com meus pais, eu e minha irmã no banco
traseiro, curva para o meu lado e eu jogava o corpo
para cima dela "ôôôôô". Curva para o lado dela e era
ela que caia pra cá "ôôôôô". A lembrança me bate
com tanta força que chego a sentir o cheiro da cabeça
de minha irmã, que ela dizia que era do cabelo, e eu
dizia que era da cabeça, porque ela mudava o shampoo
e o cheiro continuava o mesmo, ela dizia que eu era
criança e confundia tudo, mas eu tinha certeza que
aquele cheiro era da cabeça dela, então ela me perguntava
como era o cheiro, e eu perdia a graça porque não sabia
explicar o cheiro, dai ela dizia "Tá vendo", mas a verdade
é que nunca esqueci, já cheirei a cabeça de mil mulheres
e nunca mais senti nada igual."

- Chico Buarque