-“O que você quer que eu diga? Pergunte-me e te responderei”. Essa foi a minha frase suicida do dia. Por que é que nunca volto atrás antes de começar a me expor?Essa mania ainda pode acabar comigo. Literalmente. Tem gente que acha simples controlar um sentimento, acontece por acaso. Você não pode prevê-lo, mas pode matá-lo com umas boas marteladas logo no início. E sinto dizer que foi o que fiz, embora isso tenha acabado com as minhas forças. E pior de tudo não foi matar e sim escutar a frase “preciso ter cuidado com você”. Esse tipo de coisa me funde a cabeça, me tira o sono e me faz odiar/gostar/planejar a sua morte ainda mais. (Quanta ironia!) Você nunca vai entender o que eu disse e talvez por isso o clima comece a ficar tão denso e pesado que eu chegue a mudar de cor sempre que precisar manter contato com você. Simples não?Ô situação complicada que fui me meter. Você podia ignorar tudo o que eu te disse ontem... Menos constrangedor. É por isso que dizem que o amor é feio,tem cara de vício,anda pela estrada e não tem compromisso. Então continuo andando por entre ruas e vielas dizendo:-Deixo as minhas palavras subentendidas.
-Olá Ano novo. Entre e se sente aqui no sofá. Quer alguma coisa?Água, suco ou refrigerante de uva? Eu recebi seu telegrama há alguns meses me dizendo que viria, mas de certo você não foi muito convincente por isso a casa está assim de pernas pro ar. Como anda a família?Janeiro já não é mais um menino não é verdade?Pensei em visitá-los durante as férias, mas não consegui tirar um recesso do meu novo emprego, nem poderia também. Espere um pouco, tenho um presente pra você. (Som de passos subindo as escadas e mãos se arrastado pelo corrimão). Está aqui. Um porta-retrato com fotos que tirei antes da sua chegada. Lembra-se da tia Margarida?Aquela ali da foto à esquerda. Então, ela se mudou pra longe. Nosso primo querido se formou na universidade, a Júlia está terminando o ensino médio, Cristiane arrumou um namorado (a) e pra finalizar Maria está prestes a ter um bebê. As coisas mudaram muito sabe como é. Mas vou reapresentá-las a você assim que dermos uma volta pela cidade. Ah já estava me esquecendo. O tempo por aqui anda muito chuvoso, os garotos vivem em pé de guerra logo de manhãzinha então se acostume a tomar o café ao som de sermões e xingamentos pronunciados por estes adolescentes. Mamãe lhe mandou um abraço e disse que não poderia chegar de Curitiba a tempo de vê-lo novamente. Seu avô, pobre coitado, está envelhecendo muito rápido e mal se lembra dos netos. A sobrinha saiu da igreja, Norah voltou aos vícios, à cidade anda dando uma de "sustentável" e por ai vai... E antes que eu me esqueça. Seja bem-vindo e sinta-se em casa.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
"Essas preciosas ilusões em minha mente não me decepcionaram quando eu era indefesa. E renunciar à elas é como renunciar aos melhores amigos invisíveis." [Precious Illusions - Alanis Morissette]
Eu guardo as verdades do mundo E às vezes quero transformá-la em poesia. Como estórias que confundem a mente Devo me ater à apostasia. O imundo talvez que me aguarde Que se esconda atrás das palavras irreverentes Para que de uma só vez salve-se de marte, De onde tenho idéias inconseqüentes. Eu confio a vida às mãos do surreal Daquele mesmo ato de assoprar personagens Embora o dedo empoeirado não os retire das páginas O Senhor do tempo tem a necessidade viril de apagá-las Cheio de cicatrizes e de viagens Não custa nada voltar a ser parte do livro. O que ele mesmo criou, fantasioso, de trás para frente Reescrevendo a história de seu mundo, Transformando-o em prosa,em rosa,em riso.
Sou pequena demais pra dizer o que a falta me faz,com aquela túnica vermelha se escondendo atrás das canecas de coca cola no fim da tarde.Quanto falta faz. Quanto tempo se passou e nada de vê-la pela vizinhaça,pela piscina do prédio. Então outra vez as coisas continuam no lugar,e a falta (aquela senhora sentada no canto do ônibus) simplismente desapareceu.Do seu paradeiro não sei,embora tenha espalhado cartazes pela cidade à procura dela. Lembro das vezes em que ela segurava a minha mão.Ora beijava a face,ora dormia ao meu lado nas noites de insônia... E a proteção que ela me oferecia sempre que o medo ou a saudade se aproximavam era o que mantinha meus pés no chão. Até que em um dia de sol ela se foi,deixando apenas um bilhete(amassado) em cima da cama que nos mantinha.Cansara-se de mim e precisava seguir a vida e o tempo quem sabe a traria de volta. A falta que a falta faz...
Abro o zíper de Janeiro e como de costume sou jogada para trás pelos velhos morcegos. A história é narrada por uma voz triste, desconhecida e por uma música típica de Manson(sem comentários sobre o gosto musical do tempo).Prevenida com o que veria e sentiria tomei uma dose de anti-alérgicos iniciais e peguei a lanterna preparada para certa ocasião.Foram dias difíceis mas sobrevivi e isso importa bastante.
Deixo esse capítulo para trás. Continuo a minha viagem pelo tempo, passo por fevereiro e logo tropeço em março. Ah!Março está tão oprimido e molhado que não suporto ficar aqui durante muito tempo (deveria ter avisado ao faxineiro que passaria por ele depois do almoço).O chão de março está completamente ensopado e cheio de cartas,uma pilha delas dedicada à algumas pessoas especiais e só,existem também pedaços de seda (de cor preta),fitas,furos,objetos pontiagudos e um pote de comprimidos coloridos jogados no chão.É,esse não foi dos melhores meses.Embora haja também dois cestos no canto (cheios de abraços,cafunés e coisas do gênero).
Assim que fechei esse zíper senti uma sensação de alívio indescritível.
O sol raiou. Chegou Abril, o zíper se abriu e pude ouvir um monte de gargalhas, uma série de livros (sobre todas as coisas),uma força que jorrava por entre os espaços (anteriormente vazios) e colo (essencial ao capítulo). O chão estava úmido, mas fora coberto de toalhinhas e lenços azuis. Um samba acompanhava essa trajetória...
E na parede estava sendo projetado um vídeo de cambalhotas, festivais de misto quente, latas de sorvete e textos (um monte deles) cheios de histórias engraçadas. De uma hora para outra o vídeo parava e o sol acabava se despedindo,daí os maiores aprendizados e virtudes adquiridos na época também iam embora (para que pudessem voltar no outro dia).E o clima continuava durante os capítulos de maio e junho.
E logo mais o vento disseminava as flores por entre os mesmos.
Os seguintes meses: julho, agosto e setembro tinham um ar de descoberta. O cenário era diferente dos demais, as pessoas também já não eram as mesmas e aquele amadurecimento visto na parede continuou, mas lentamente. A consciência acabou tomando a narrativa. O espaço era um conjunto de tardes de estudo (entre outras coisas) e muitas palavras ditas perambulavam pelo quarto acompanhadas por uma série de experiências (não citadas).
Outubro e novembro passaram rapidamente. Trabalhos e vestibulares gritavam aos ouvidos que o tempo estava acabando. E o tempo acabou...
Acabou entre partes. Acabaram os capítulos de “meninice” e um novo começara a surgir por entre os rascunhos espalhados pela mesa.
Dezembro.
(sem mais delongas.)
"Passo a língua nas coisas que vejo e passo as coisas que vejo pra língua." Viviane Mosé