domingo, 10 de maio de 2009

Sobre as mulheres que eu amei


*Aproveitando a deixa sobre o dia das mães.
Há quem diga que eu nunca fui de muitos amores, poucas paixões avassaladoras ou relacionamentos importantes. Durante toda a minha vida o meu relacionamento com as mulheres foi estressante e talvez por isso eu queira expor uma parte da história. Eu não sou muito interessante ou mesmo paciente (coisas que já estão estampadas na minha testa), porém eu sempre fui das que perseveram até o final das coisas, menos quando se tratava da minha irmã. Por mais plausíveis que fossem os argumentos ela nunca aceitava que eu estava certa e ela errada (acho que foi por isso que travamos longas batalhas de quarto, amantes e até mesmo o afeto dos meus pais). Esse sem dúvida foi um dos meus relacionamentos mais duradouros, faz 16 anos que estou com a minha irmã e pelo visto estaremos juntos por um longo (e infinito) período de tempo. Após isso vieram as minhas amigas (e amigos gays) que me enfiavam "goela" abaixo personalidades e surtos que eu achava uma graça, grande parte delas se parecia com a minha irmã, irredutíveis, carinhosas e frequentadoras de pracinhas assíduas. Era a cumplicidade em forma de gente, eram erros destrutíveis e irreparáveis, de todas as idades e raças, era uma espécie de família, das mais anormais possíveis (e de quem às vezes eu tentava fugir a todo custo). Com o tempo eu fui me adaptando, me aderindo ao mundo delas (que também era o meu), aprendendo coisas novas, ganhando maturidade, suprindo carências. Foram tantas as amigas que eu amei que não cabem nos dedos, porém de todas elas eu posso citar a que mais me surpreendeu/surpreende até agora, minha mãe (aquela senhora baixinha, de madeixas castanhas e “olhos de ressaca”), a mulher mais incrível, enigmática e chantageadora da humanidade e que por sinal é a primeira da lista das mulheres mais amadas por mim

sábado, 9 de maio de 2009

Bailarina


E começa a dança da solidão. É no batuque, batucada, batendo palmas e violão.

E lá vem ela toda (toda), com seu ritmo e encanto, dobra a perna e dá um salto

é poesia,é música,é samba e apetrechos ,é vertigem e insulto

todas as vezes que dança.

Lá se vai à andarilha, a nega bailarina que rodopia entre um acorde e outro.

E vai se despedindo, se ausentando do palco, arrumando os cabelos,

encurvando-se agradecida.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Surtos e pombos a vista.


Eu sempre soube que chegaria a minha vez de cometer loucuras, de ter surtos ou piorar as minhas crises existenciais. O esperado era que tudo isso viesse me acompanhar ao logo da aposentadoria “rechonchuda” que eu ganharia com meu cargo de professora. É claro que estou ironizando, bastar-me-ia boas companhias e um bom sanduíche com patê que eu ficaria bem, mesmo sem a tão chamada boa aposentadoria. Esse era o plano, eu não esperava correr feito louca atrás dos pombos com migalhas de pão, também não esperava recitar poemas em uma língua que não conheço direito ou me apaixonar pela pessoa mais complicada do mundo. Infelizmente os atos aconteceram mesmo sem previsão, depois vieram às longas noites de insônia à procura de um bicho de estimação perfeito (que de preferência não fosse um peixe), crises de choro ainda maiores do que as que eu tinha, medo do telefone quando toca, bloqueio criativo nas horas mais indevidas. É, eu soube que estava começando a surtar. Essa vontade doida de fazer coisas indevidas, acordar na madrugada pra fazer listas ou ir ao teatro só pra rir dos meus caros amigos, retroceder no meu estilo musical, começar a conversar com a minha irmã, aprender a me maquiar, a bordar e usar vestido de bolinhas.As coisas não andam muito bem,percebem?Estou começando a me sentir parecida com a velha senhora da esquina, cabelos grisalhos, casacos de frio e novelas da sete, a diferença é que a beata vive de festa pelos cantos, joga truco com os senhores da caminhada e visita os amigos todo fim de tarde, e eu... Eu apenas passeio pela praça e recito poemas inacabados.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Canção Da América


Composição: Fernando Brant e Milton Nascimento

Amigo é coisa para se guardar

Debaixo de sete chaves

Dentro do coração

Assim falava a canção que na América ouvi

Mas quem cantava chorou

Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou

Com seu canto que o outro lembrou

E quem voou, no pensamento ficou

Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar

No lado esquerdo do peito

Mesmo que o tempo e a distância digam "não"

Mesmo esquecendo a canção

O que importa é ouvir

A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier

Qualquer dia, amigo, eu volto

A te encontrar

Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Xícara de café.



Um último gole de café e a indagação:

-Se ele perguntar o meu nome,não saberei dizer. –disse . Falando sozinha mais uma vez.

Chutando pedrinhas, comendo coisas proibidas, conversando com estranhos, cabulando compromissos, admitindo erros que não são meus,chorando por sonhos que nunca existiram,alimentando animais que eu não gosto ou apenas gostando de pessoas egoístas. Ainda não fui apresentada a mim, quanto mais ao homem prateado de sorriso intrigante.

Eu ainda não conheço o meu nome, talvez seja Impulso, Desejo, Vergonha (ou a falta dela), talvez seja Risco, Desrespeito ou quem sabe apenas um espaço em branco que se encontra logo após a palavra aluno, candidato, remetente ou responsável. Com esses eu não me contento, não me atrevo a aceitá-los de boca fechada.

Se ele perguntar o meu nome vou dizer: - O meu nome é... Eu.

Daí irei me perguntar:- Se eu fosse eu como seria?O que eu faria?

“Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar.”

Lembrei de Clarice,chamei o garçom e lhe pedi outra xícara de café expresso.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Meme. (Parece estúpido mas é engraçado)


A Nathália que me passou esse.

*Minha intenção não era me condenar.Sabe como é,eu tenho uma certa consciência ecológica e até uma simpatia com o boi mas eu caí na tentação.
Afogando as mágoas com um Big Mac. (hahahaha)

domingo, 12 de abril de 2009