Eu odeio hospitais, odeio as cores que não variam muito entre branco claro e branco escuro (encardido). Às vezes eu acho que é algum trauma alheio, desses de infância quando a gente precisava tomar um monte de vacinas, ora penso que seja a sirene das ambulâncias que vão e vem com pacientes em estados precários. Odeio as salas de emergência, os apartamentos e os consultórios. Tudo me faz lembrar algo terminal, uma despedida ou dor concentrada num local só. Associo sempre às pessoas que eu amo e que de lá nunca mais saíram e depois aquela série de histórias do tipo: -“Ela está com papai do céu”. -“Foi fazer uma viagem longa”. Blá, blá... Crianças não são burras.Superando isso eu tento de tudo não voltar a pisar em hospitais o que de fato é inevitável, estômago, sistema respiratório e nervoso não tem me ajudado muito. Talvez eu deva ficar ali por mais um tempo, jogar conversa fora com os enfermeiros de plantão, contar piadas às criancinhas da ala ao lado,inalar neosoro e respirar fundo a fumaça de um aerossol.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Perdoem-me os dias sem palavras...
é que não quero contagiar-me com palavras de morte.
Hoje eu estava “fuçando” na gaveta e encontrei um texto antigo (e meloso!) que escrevi; daqueles que a gente escreve quando está em crise/bêbado/apaixonado platonicamente ou as três coisas juntas.
Fechou a porta assim que entramos. Desamarrou os sapatos e os colocou num canto perto da cama. Ela estava distante de mim e um pouco disso me preocupava. Era domingo, era noite pra ser exato e ela estava estupidamente quieta, acho que mal respirava e se o fazia era bem sorrateira, tinha os olhos fixos em alguma coisa que não estava lá.
Por mais alguns minutos ela permaneceu calada, desabotôo a blusa,prendeu o cabelo num rabo de cavalo e me olhou demoradamente como se estivesse procurando até que encontrou o que queria e liberou suas palavras engasgadas.
-Odeio pensar que está me enganando-disse ela.
-E não estou... -respondi.
-Então faça-me sentir que você não está mentindo. -exclamou ela. –Mostre que não está brincando comigo. Diga que me ama como eu amo você. Diga. Mostre.