terça-feira, 5 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010


Francamente, eu não sei. Sou paranóica mesmo, dessas com carteirinha e carimbo de autentificação. Frequentadora assídua de terapias em grupo e conversas em bar de esquina. Fã de música brasileira,de frases bregas e pessoas suspeitas. Não tem muito segredo pra lidar comigo, além de uma boa dose de humor e a cabeça no lugar, não há outros requisitos. Ah! Não é necessário ter experiência, adquirindo-me, no fundo da embalagem há uma manual de instrução para uso. Não preciso de muito espaço, apenas é recomendável que esteja em lugar arejado e sobre temperatura ambiente. Antes de obter é indispensável que se tenha às mãos uma folha de papel e muita criatividade, que tenha um guarda-chuva acessível para quando a chuva cair, que goste de lembrancinhas, assuntos estranhos e de crianças.

Não aceitamos devolução.

Edição limitada e única

Disponibilidade no mercado: nenhuma.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010


Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Oswald de Andrade

terça-feira, 14 de setembro de 2010


"Eu te recebo de pés descalços: esta é minha humildade e esta nudez de pés é a minha ousadia." C. Lispector

sexta-feira, 10 de setembro de 2010


É de manhã, não chove há dias e a gente mal consegue respirar. Queria mesmo estar preocupada com isso. Mas não! Estou metida numa porção de pensamentos maçantes. Desses que a gente não sabe se mete à bicuda ou deixa deslanchar sem querer. O pior de tudo é que eu nunca me contrariei tanto como agora.

Impressionante, há exatos seis dias, eu sentia um enorme ódio de você. E o ódio, como todo sentimento doentio, deveria me fazer não pensar em nada. No entanto, cá estou... Impactada pelo ‘espírito de identificação’. Cheia de angústia, preocupada com você, almejando ajudar, acudir, amparar, auxiliar, proteger. Nessas horas eu me esqueço de tudo e digo:
- Certos sentimentos só se curam se forem amputados.
Eu desejo a você a força necessária para enfrentar tudo isso, abraço.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010



Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

(Alvaro de Campos)