
Um último gole de café e a indagação:
-Se ele perguntar o meu nome,não saberei dizer. –disse . Falando sozinha mais uma vez.
Chutando pedrinhas, comendo coisas proibidas, conversando com estranhos, cabulando compromissos, admitindo erros que não são meus,chorando por sonhos que nunca existiram,alimentando animais que eu não gosto ou apenas gostando de pessoas egoístas. Ainda não fui apresentada a mim, quanto mais ao homem prateado de sorriso intrigante.
Eu ainda não conheço o meu nome, talvez seja Impulso, Desejo, Vergonha (ou a falta dela), talvez seja Risco, Desrespeito ou quem sabe apenas um espaço em branco que se encontra logo após a palavra aluno, candidato, remetente ou responsável. Com esses eu não me contento, não me atrevo a aceitá-los de boca fechada.
Se ele perguntar o meu nome vou dizer: - O meu nome é... Eu.
Daí irei me perguntar:- Se eu fosse eu como seria?O que eu faria?
“Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar.”
Lembrei de Clarice,chamei o garçom e lhe pedi outra xícara de café expresso.