terça-feira, 30 de dezembro de 2008


"Essas preciosas ilusões em minha mente não me decepcionaram quando eu era indefesa. E renunciar à elas é como renunciar aos melhores amigos invisíveis." [Precious Illusions - Alanis Morissette]

domingo, 28 de dezembro de 2008

Senhor do tempo e o ato de espinafrar.


Eu guardo as verdades do mundo
E às vezes quero transformá-la em poesia.
Como estórias que confundem a mente
Devo me ater à apostasia.
O imundo talvez que me aguarde
Que se esconda atrás das palavras irreverentes
Para que de uma só vez salve-se de marte,
De onde tenho idéias inconseqüentes.
Eu confio a vida às mãos do surreal
Daquele mesmo ato de assoprar personagens
Embora o dedo empoeirado não os retire das páginas
O Senhor do tempo tem a necessidade viril de apagá-las
Cheio de cicatrizes e de viagens
Não custa nada voltar a ser parte do livro.
O que ele mesmo criou, fantasioso, de trás para frente
Reescrevendo a história de seu mundo,
Transformando-o em prosa,em rosa,em riso.

Eu não estou espinafrando!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A falta que a falta faz.


Sou pequena demais pra dizer o que a falta me faz,com aquela túnica vermelha se escondendo atrás das canecas de coca cola no fim da tarde.Quanto falta faz.
Quanto tempo se passou e nada de vê-la pela vizinhaça,pela piscina do prédio.
Então outra vez as coisas continuam no lugar,e a falta (aquela senhora sentada no canto do ônibus) simplismente desapareceu.Do seu paradeiro não sei,embora tenha espalhado cartazes pela cidade à procura dela.
Lembro das vezes em que ela segurava a minha mão.Ora beijava a face,ora dormia ao meu lado nas noites de insônia...
E a proteção que ela me oferecia sempre que o medo ou a saudade se aproximavam era o que mantinha meus pés no chão.
Até que em um dia de sol ela se foi,deixando apenas um bilhete(amassado) em cima da cama que nos mantinha.Cansara-se de mim e precisava seguir a vida e o tempo quem sabe a traria de volta.
A falta que a falta faz...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Capítulos de 2008.



Vagueio por entre os capítulos do ano (os meses).

Abro o zíper de Janeiro e como de costume sou jogada para trás pelos velhos morcegos. A história é narrada por uma voz triste, desconhecida e por uma música típica de Manson (sem comentários sobre o gosto musical do tempo).Prevenida com o que veria e sentiria tomei uma dose de anti-alérgicos iniciais e peguei a lanterna preparada para certa ocasião.Foram dias difíceis mas sobrevivi e isso importa bastante.

Deixo esse capítulo para trás. Continuo a minha viagem pelo tempo, passo por fevereiro e logo tropeço em março. Ah!Março está tão oprimido e molhado que não suporto ficar aqui durante muito tempo (deveria ter avisado ao faxineiro que passaria por ele depois do almoço).O chão de março está completamente ensopado e cheio de cartas,uma pilha delas dedicada à algumas pessoas especiais e só,existem também pedaços de seda (de cor preta),fitas,furos,objetos pontiagudos e um pote de comprimidos coloridos jogados no chão.É,esse não foi dos melhores meses.Embora haja também dois cestos no canto (cheios de abraços,cafunés e coisas do gênero).

Assim que fechei esse zíper senti uma sensação de alívio indescritível.

O sol raiou. Chegou Abril, o zíper se abriu e pude ouvir um monte de gargalhas, uma série de livros (sobre todas as coisas),uma força que jorrava por entre os espaços (anteriormente vazios) e colo (essencial ao capítulo). O chão estava úmido, mas fora coberto de toalhinhas e lenços azuis. Um samba acompanhava essa trajetória...

E na parede estava sendo projetado um vídeo de cambalhotas, festivais de misto quente, latas de sorvete e textos (um monte deles) cheios de histórias engraçadas. De uma hora para outra o vídeo parava e o sol acabava se despedindo,daí os maiores aprendizados e virtudes adquiridos na época também iam embora (para que pudessem voltar no outro dia).E o clima continuava durante os capítulos de maio e junho.

E logo mais o vento disseminava as flores por entre os mesmos.

Os seguintes meses: julho, agosto e setembro tinham um ar de descoberta. O cenário era diferente dos demais, as pessoas também já não eram as mesmas e aquele amadurecimento visto na parede continuou, mas lentamente. A consciência acabou tomando a narrativa. O espaço era um conjunto de tardes de estudo (entre outras coisas) e muitas palavras ditas perambulavam pelo quarto acompanhadas por uma série de experiências (não citadas).

Outubro e novembro passaram rapidamente. Trabalhos e vestibulares gritavam aos ouvidos que o tempo estava acabando. E o tempo acabou...

Acabou entre partes. Acabaram os capítulos de “meninice” e um novo começara a surgir por entre os rascunhos espalhados pela mesa.

Dezembro.

(sem mais delongas.)

"Passo a língua nas coisas que vejo e passo as coisas que vejo pra língua."
Viviane Mosé

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

"Papai noel velho batuta."


Sabe aquele velhinho sentando logo no fim do arco-íris?Exatamente.O papai noel.
Hoje como de costume vamos comemorar a chegada do natal (ó silêncio na plateia),sentaremos à mesa com as pessoas "que mais amamos" e daremos uma série de sorrisos,abraços e diremos aquelas frases (decoradas) de todos os outros dias 25 de Dezembro.
Enquanto esperamos o peru (ou o chester,ou o frango) falaremos de presentes,de momentos alegres e da forma como o peru fora estrangulado (talvez).As crianças ansiosas correram pela sala à procura do velhinho noel (leia-se velho capitalista) aos berros,com sua coleção de brinquedos recém ganhados e trajando roupas novas... e quem sabe até consigam olhar pela janela e imaginar a neve caindo.Ah sim!Uma experiência maravilhosa.
Eu sempre me lembro das vezes em que era obrigada a sentar no colo daquele velho barbudo,eu olhava e achava engraçado por que não sabia quem tinha mais medo de quem,então ele me perguntava o de sempre: "Você foi uma boa menina esse ano?Está merecendo presentes?"e é claro,como toda criança esperta que enche o vidro de shampoo (recém derrubado)com água,eu respondia: "Fui sim"... com aquele sorriso misterioso e maquiavélico de criança.
Com o passar dos anos tanto eu quanto papai noel fomos descobertos no flagra,foi uma frustração generalizada.Eu continuei a ganhar os meus presentes (embora eu sempre soubesse que o velho era de mentira) e o papai noel continuou na dele,a dar presentes para todas as crianças (ricas).
Quando vejo os meus primos correndo de um lado pro outro espantados e eufóricos com a chegada do velhinho tenho a leve sensação de inocência e ao mesmo tempo da enganação que eles se meteram.Lembro das vezes em que eu fazia o mesmo e achava um máximo o tal descendo pela chaminé (até descobrir que era um tio,um avô e blá),a família achava o mesmo (no natal todo mundo acha),eu não me incomodo pois tudo na vida vira costume.Estamos até acostumados a pagar alguns reais ao velho papai noel para que as crianças o prestigiem...Sabe como é Noel acabou se rendendo aos encantos do capitalismo.
Ele está perdoado...
Quem mais daria motivos para matar um peru?Quem mais reuniria a família para ceiar (em paz)?
Eu concordo com as crianças...
Papai noel é (e sempre será) o cara!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Uns versos

de Adriana Calcanhoto

Enquanto espero

Escrevo uns versos

Depois rasgo

(...)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Fora de casa.


Essas férias prometem.
Tenho o ligeiro costume de dormir fora de casa,sempre acompanhada da minha irmã (grande proteção!).
O combinado era voltar da festa a tempo de pegarmos a casa de portas abertas.Mas dessa vez não deu certo.
Alguém esqueceu de avisar à minha avó que quando os netos saem de casa ou dá-se a chave a eles ou se esconde a mesma em algum lugar.Como se não bastasse as portas trancadas,no meio do mato existiam cachorros à solta e caia um temporal do caraí (sorte é coisa pra poucos).O que é que a gente faz numa hora dessas?Canta... foi o que eu fiz!
Eu sempre me lembro de carregar lanternas,anti-sépticos e protex quando saio de casa (mas por descuido não o fiz).Dormir na caminhonete do meu avô parecia mais aconchegante,a vontade de fazer xixi era grande e o meu celular só tocava Vanessa da mata (mpb numa hora dessas?acredite!).É ,juro que o chop não foi a pior coisa da noite,nem a alergia ao camarão...só mesmo as borboletas (grandes e nojentas) pra bater o meu recorde.Ah!me aceitem.Prefiro mil vezes dormir no mato ao relento (no meio da fazenda) do que debaixo das luzes com as borboletas e mariposas (e foi o que fiz).
Ainda bem que o cochilo noturno durou pouco,sentiram a nossa falta.

Ps:Lembrar sempre de levar uma barraca dentro da bolsa.Ah!Chicletes e repelentes também...


Vampirismo.


Eu não faço parte do grupo de pessoas que acredita em vampiros(quer dizer),eu sou um tanto racional para dedicar a vida a esse tipo de coisa mas as vezes eu penso seriamente que seríamos mais felizes com a presença dessas criaturas.

No fundo eu sei que cada um de nós tem um pouco de vampirismo(notório),somos corpos que vagam das campas de noite e até acordamos com a ligeira sensação de que fomos sugados (não o sangue propriamente dito) mas perdemos as forças,a alegria e os sonhos daí nos tornamos como o personagem comum da literatura de horror e mitologia que conhecemos,é um ciclo.Afirmo que essa comparação é meio estúpida mas não posso deixar de descrevê-la.

Sempre que ouço falar dos vampiros tenho em mente a idéia de sangue(de súbito),o vermelho vivo e caloroso que sai das veias (que salta-que grita).O sangue,aquele que perdemos durante as madrugadas a fio e que até repomos com velhos cálices e taças de vinho,aquele que damos pelos nossos filhos (ou em troca deles),o que vendemos aos que não merecem e o que são usados em pactos (de todas as formas,místicas ou não),o mesmo sangue sugado dos animais e humanos pelas criaturas.

Continuando minha análise percebo que também temos o poder de controlar as coisas e de seduzi-las e contra esse mal não existe hóstia consagrada,alhos ou água benta,nada disso causa efeito significativo.Somos associados aos lobos,aos cães e aos morcegos cada qual com sua personalidade.E ainda dizemos que não temos nada em comum com os vampiros.

Ora o tempo passa e nos apaixonamos,por vampiros (como as fabulas e contos fictícios já previam),nos apaixonamos por pessoas que nos enfraquecem,que nos encantam e que as vezes se transformam sem precisar entrar em contato com as noites de lua cheia.O ciclo continua,como toda maldição passada de geração em geração.

E tudo parece um espetáculo (um grande espetáculo que vai além da Europa Ocidental e do Oriente),abrimos a porta aos vampiros todos os dias (já que os mesmos não entram em lugares onde não são chamados).Os convidamos e logo já podem ceiar conosco sem qualquer resistência.

E ai é que entra a minha pergunta,"Quem será o cardápio de quem...?".

domingo, 21 de dezembro de 2008

Acampamento.


"Acampamento",definição,programa de índio.
Segue abaixo a lista dos acontecimentos:
Acidente de moto,fome,salsichas enlatadas,gato selvagem,passeio no mato,perdidas no meia-ponte,mosquitos (e mais mosquitos),confidências interessantes,bombeiros submersos,aprediz de sinuca,churrasco,barraca (terra na barraca),guerra de ktechup e água,banho comunitário e porta esburacada,cachorro quente,vídeo comédia,borboleta monstro,dormindo na mesa de sinuca,crise de choro,cólica (e pinga à vontade),churrasco do gauchinho,o cachorro da Bruna que morreu e blá...
Hora de dormir,mulheres na barraca,lanterna,passos (imaginários),"Wendel,o protetor das mulheres",crise de gritos e risadas,cachorros à solta,os galos da 1:50h,a fofoca canina,como perder o celular numa barraca,"eu não quero dormir no canto",o bicho papão,doritos,tihuana as sete horas da manhã,fast food no café da manhã e música para alegrar os ouvidos.
Histórias para contar aos filhos e netos.

Aventuras e desventuras.



E continuo dizendo,"como você me dá trabalho viu".
O tempo passa.Você amadurece e eu também,você chora (e eu também)e pra variar tudo continua sendo recípocro.
Ah!Gosto de você (como se não soubesse).
E é esse mesmo tempo que nos deixa saudade,das coisas de infância,das aventuras,dos risos e dessa irmandade que a gente criou (e só a gente sabe).
Definitivamente,você é insuportável,você me faz dormir na chuva em pleno inverno(risos) e pior ainda me inclui nesse mundo,só seu.
Ah!Por que "você é minha" e o cara do ônibus ficou sabendo disso (cara de mal)
Amo você
[Ao infinito e além! \o/]



Oh!Parabéns Natallya... você acaba de comer camarão.
Good luck

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008



Eu me destruo. Eu me construo. Eu me recuso. Eu continuo...

E assim a vida vai me levando onde deseja levar e do resto cuido eu (ainda que mal-cuidado).
Cuido das poucas coisas que tenho,das poucas pessoas que amo (inclusive das que não deveria) e dos pedaços que recolho de mim (aqueles que a pouco foram arremessados no ventilador).

Eu continuo...

Procurando o verdadeiro significado dessa palavra

Eu.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"Te procuro
nas coisas boas
em nenhuma
te encontro inteiro
em cada uma
te inauguro." Alice Ruiz

domingo, 14 de dezembro de 2008

Em casa.


De volta à casa.Eu soube que chegaria o momento,a hora de voltar.
Tudo continua como antes,ainda existe um cachorro que late todas as vezes que me vê,ainda vejo o mesmo passarinho pendurado no telhado de casa e uma pirâmide de louças sujas (abandonadas a algumas horas).É extremamente familiar(e talvez um pouco aconchegante),tem um cheiro característico (um pouco cítrico talvez) misturando com o aroma de "veja" espalhados pela casa.Tudo é real.
Me deito na cama como há tempos não fazia,estico as pernas e respiro fundo (o máximo que posso) até que eu consiga sentir aquela sensação de paz interior.
Então começo a chorar uma alegria profunda que parece até tristeza mas é apenas saudade.
Penso,às vezes,que vivo para esse momento indefinido,belo,sincero e escasso.Pena que só o percebo quando ele está de malas prontas,descendo as escadas e despedindo-se com um leve aceno de mãos.Como fazia antigamente,como uma criança que se deixa levar pela mão.
Há muito tempo não sentia isso.Eu estava sempre alerta as coisas que tinha fora de casa e me esquecia que de qualquer forma a felicidade é algo que nos chama pra dentro...
puxando-nos pelas pernas,arrastando-nos para a cama e beijando (sempre beijando a face).

sábado, 13 de dezembro de 2008


"...Luz,quero luz,sei que além das cortinas
são palcos azuis,infinitas cortinas com palcos atrás.
Arranca vida,estufa veia
e pulsa pulsa pulsa pulsa pulsa mais!
Mais,quero mais,
nem que todos os barcos recolham aos cais
e os faróis da costeira me lancem sinais,
arranca vida,estufa vela
Me leva leva longe longe leva mais!"

Chico Buarque.

Oração ao sol de amanhã.

"Preciso sonhar um sonho novo,
preciso saber perder um velho sonho,
preciso gerar um novo sonho
e crer nas sempre novas possibilidades
que o que há de vir me oferece.
Preciso encontrar o que mereço em outro endereço,
e que seja logo,que seja breve.
Preciso daquela esperança de um dia após o outro
que a travessia do tempo me concede.
Ó futuro,não me deserde!"

Elisa Lucinda.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008


E dói...
Dói como alguém que se atira da janela.
Dói como ter um avô viciado em heroína e como cortar o dedo de repente.
Dói como sentir o corpo sendo rasgado por unhas afiadas.
E as vezes dói como ver um filme mudo ou quando se fere deixando a carne exposta.
E então a dor (a mesma de horas atrás)imediatamente passa.
Começa andando lentamente,daí corre e logo tropeça em uma pedra ou outra.
Então amanhece,caminho até a varanda e sinto o vento assobiar por entre
os orifícios da casa (vazia),mas minha casa.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008


A tarde vem,a noite chega.
Eu continuo indo e vindo.Aqui dentro.Indo e vindo.
E quando você se achega e quando você me beija...
E quando sinto o cheiro de aventura eu sei que estou vivendo.
Então continuo tentando,então continuo te apertando frente ao espelho.
Então continuo voando sobre mim,então continuo inalando a fumaça.
E você se esquece das velhas ameaças.
A manhã vem,a tarde chega. Eu continuo sorrindo pelo doce mistério.
E enquanto você olha eu as vezes devoro.
E continuo indo e vindo aqui dentro.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Cometário.


Falta do que fazer ou dizer dá nisso.Eis o relato de mais uma viagem inacreditável.

Começou a gritaria.Janelas abertas e gente se abanando.Típico de viagens inesperadas e escolhidas ao acaso.
Sempre que passo por uma dessas eu penso em como poderia estar munida de um belo "Bom ar" para acabar com o caos.Foi assim a história do ônibus mal-cheiroso.
15 horas como era de se esperar lá estava ele,limpinho e organizado para nos receber de braços abertos.(Me refiro a nós,pois além dos 50 passageiros eu mantinha em segredo Zeca e Mordecai,ótimos companheiros de viagem).
Sempre pontual o ônibus receberia nada mais que onze passageiros com sérios problemas mentais e intestinais,cinco deles deveriam estar dopados ou em algum tipo de transe outros cinco cantavam como loucos uma canção sertaneja e o último (e não menos importante) fizera o estrago no ônibus.Lembro-me do momento exato em que a porta do banheiro(lá no fundo) se abriu,juntamente com um estralo de dedos que eu "ADORO".Ah credo!-o grito inesperado da velha senhora com seus cinquenta anos.
O "moço" em decomposição(tenho certeza disso) inaugurara o banheiro imediatamente tornando a viagem tão agradável quanto o enxofre inalado em dias de inferno literal.
Foi o fato marcante para o resto da trajetória.Quem disse que ar-condicionado é uma das melhores invenções humanas,eu atesto que não!Não para casos especiais em que as bombinhas de oxigênio perdem sua força total e metade dos passageiros se enojam.
E junta tudo e joga fora.Jogue o passageiro para fora também.
Fica a dica aos próximos viajantes:
Caros senhores é de total importância que alimentos cuja validade esteja vencida há trinta dias não seja ingerido antes da viagem e se o fizer por favor acenda um fósforo e queime-os (passageiros) de uma vez.
Atenciosamente,
Motorista do Ônibus

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008


Amanhã será um lindo dia, da mais louca alegria
Que se possa imaginar, amanhã redobrada a força
Pra cima que não cessa, há de vingar
Amanhã mais nenhum mistério, acima do ilusório
O astro rei vai brilhar, amanhã a luminosidade
Alheia a qualquer vontade, há de imperar, há de imperar
Amanhã está toda a esperança por menor que pareça
O que existe é pra festejar, amanhã apesar de hoje
Ser a estrada que surge, pra de trilhar
Amanhã mesmo que uns não queiram será de outros que esperam
Ver o dia raiar, amanhã ódios aplacados temores abrandados
Será pleno, será pleno...

(Guilherme Arantes)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008



Será que isso tudo me faz bem ou será que me faz mal?
Ah!Amanheceu e hoje eu vou ficar bem.Vou sim (está determinado).
Peço desculpas ao pessimismo louco que ando tendo por aqui,aos leitores (aos únicos) que ainda mantiveram a paciência.
A gente não precisa ser assim não é verdade?Onde foi que coloquei as aulas práticas de cabala?(ironia)
Nem te conto!Elas estão por aí,em cima do quadro negro,nas latas de lixo ou nas cartas de tarô inválidas.
É.Estou tentando de novo (incrível como me contradizo).Pense bem,no lugar de beck eu tenho uma xícara de capuccino pra brindar o equilíbrio entre nós .

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Atrás da porta.


Bastam-me aos poucas horas de paz que tive hoje.
A madrugada está prestes a abrir a porta e nada de pregar os olhos.
Precisava daquilo tudo?(Pequeno monólogo que tenho à mente neste momento).Aquela histeria banal e choro compulsivo no fim da tarde.Precisava acabar comigo em palavras como se a culpa de tudo isso fosse inteiramente minha.
Ah!Poupe-me,estou em cacos (completamente) e ainda preciso fazer-me de forte,engolir a seco as palavras que não podem ser jogadas ao vento.
Pra mim chega de tentativas,tenho me esforçado tanto pra no fim das contas estar errada de qualquer maneira.Sempre errada.Sempre egoísta.
Engraçado que "sempre" que me lembro dessas palavras eu rio,rio porque já me destruiram tanto que não me sobraram defesas quanto a elas.
É. Aposto horrores que ainda posso escutar mais.E me diga,o que você ganha?
Talvez quando a resposta chegar eu já me tenha ido juntamente com a madrugada,fechando a porta.

Mude

"Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !"
C.Lispector

domingo, 30 de novembro de 2008

Na Sua Solidão


Ela vem subindo a rua
Ela vem imaginando uma solução
Ela anda no mundo da lua
Ela anda na sua solidão

Sonhos perdidos no tempo
Para onde o vento irá soprar
Ela quer entender o momento
Talvez seja a hora de repensar

Não há mais porque não acreditar
Não há mal nenhum em se deixar levar
Cachorro grande

(..) Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'


[ Caio Fernando de Abreu ]

sábado, 29 de novembro de 2008

É.


“Desculpe Mãe! Sei que não sou uma boa menina. Sou um menina mal, que mente, desobedece... . Mãe... vc se lembra daquele dia? Aquele dia no fim de uma tarde de primavera que eu não neguei a sua presença? Naquele dia eu fui onde nunca deveria ter ido. Invadi o Jardim Secreto da Maldição, atravessei a Floresta Encantada a Morte ou simplesmente fui convencida a brincar de morrer no fundo do quintal. Mas eu tinha apenas 9 anos, Mãe! e tive que decidir entre vc e meu algoz. Sim, eu me vendi por uma garrafa de guaraná. Sim, eu me calei com medo, com vergonha... Mãe eu tentei lutar, mas quando em total desespero comecei a chorar, a única resposta que eu tive foi: Fica quietinha. Mãe eu sei que sou um menina mal, mas ao contrário do que vc me disse, DEUS não vai me castigar por ser tão mal assim, sabe por quê? Porque quando ELE me viu naquele lugar, suas lágrimas caíram. ELE viu meu desespero quando olhava a janela de casa, esperando que vc abrisse e me tirasse daquele lugar. Mas ela permanece fechada até hoje.Eu sei,eu sei... a culpa disso tudo é minha.Eu acabei morrendo naquele dia."

Assumo.


Eu até tento voltar atrás.
Eu até tento pedir ajuda,gritar socorro,banhar-me de culpa.
Mas...
tenho descoberto que tentar já não tem sentido.Que quando se machuca alguém ora se tem uma nova chance,ora não se tem nada.
Não se importe,toda dor um dia precisa ir embora.E se não for que se acumule as outras que ainda restam.
Assim vou-me fazendo,me sufucando e aprendendo que a falta é algo que logo me acostumarei a sentir.
E antes que o dia amanheça preciso me despedir e só.Definitivamente só.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008


Número de vítimas atingidas pela gripe comunitária

Nove pessoas!!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008


Roda.Roda.Roda -gritava o garoto debaixo de chuva.
Abraçado a uma pequena árvore de natal ele girava e girava.Talvez esperasse o início ou fim de toda aquela fome,ou quem sabe não esperasse nada.
Parecia ignorar todo o resto,os carros que lhe jogavam água,o frio que eriçava a pele e até mesmo o pequeno companheiro que tragava um cigarro qualquer debaixo da tenda de papelão.
O cenário assim,simples e cheio de detalhes(ao mesmo tempo).A Árvore encontrada no lixo a pouco fora recebida como um presente de natal antecipado.O melhor presente dos últimos anos e talvez o único.

terça-feira, 25 de novembro de 2008


Tenho a ligeira sensação de exaustidão.Talvez seja de fato o cansaço físico-mental,ou a sensação de insatisfação que tenho constantemente.Outra hora,penso eu que seja o medo,o peso ou angústia ainda não declarados que me arrancam forças.
E todos os dias sinto a mesma coisa e realmente não sei por que tanta tristeza,tanto vazio e aquela dor que desatina sem doer.
As vezes a carência bate a porta (a carência de afeto,de tempo,de abrigo)mas com o tempo a gente tem a obrigação de ser forte,frio e seguir em frente.No fim todos os adultos são formados a base de cansaço e dores nas costas.
Ninguém entende (isso é real) e embora eu escreva nada será diferente.No fim são apenas palavras,vazias,estáticas e repetidas.
Afinal quais são as palavras que nunca são ditas?