
Hoje eu estava “fuçando” na gaveta e encontrei um texto antigo (e meloso!) que escrevi; daqueles que a gente escreve quando está em crise/bêbado/apaixonado platonicamente ou as três coisas juntas.
Fechou a porta assim que entramos. Desamarrou os sapatos e os colocou num canto perto da cama. Ela estava distante de mim e um pouco disso me preocupava. Era domingo, era noite pra ser exato e ela estava estupidamente quieta, acho que mal respirava e se o fazia era bem sorrateira, tinha os olhos fixos em alguma coisa que não estava lá.
Por mais alguns minutos ela permaneceu calada, desabotôo a blusa,prendeu o cabelo num rabo de cavalo e me olhou demoradamente como se estivesse procurando até que encontrou o que queria e liberou suas palavras engasgadas.
-Odeio pensar que está me enganando-disse ela.
-E não estou... -respondi.
-Então faça-me sentir que você não está mentindo. -exclamou ela. –Mostre que não está brincando comigo. Diga que me ama como eu amo você. Diga. Mostre.
Disse e mostrei.