quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Fora de mim

"Não sei se as pessoas choram de forma diferente umas das outras, eu choro contraída, como se alguém estivesse perfurando minha alma com uma lâmina enferrujada, choro como quem implora, pare, não posso mais suportar, mas o insuportável é uma medida que nunca tem limite. Eu chorei no domingo, na segunda, na terça, em várias partes do dia e da noite, um choro de quem pede clemência, de quem está sendo confrontado com a morte, eu estava abandonando uma vida que não teria mais, eu sofria minha própria despedida, morte e parto, eu tinha que renascer e não queria, não quero, sinto que caí num vácuo, perdi a parte boa da minha história e não quero outra. Enquanto choro, penso que se alguém me visse chorar dessa maneira me salvaria, prestaria socorro, chamaria uma ambulância...”

Martha Medeiros

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mana,

Olá, como vai você? Sempre que recebo notícias suas fico radiante. Como já deve ter sido informada pela mamãe, mudei-me de casa. A casa não é tão espaçosa, mas ‘vezenquando’ é possível ouvir o vento sussurrando por entre os cômodos. Pela manhã, os raios do sol penetram à casa através de brechas das portas e janela trincadas. Há oito meses nos mudamos pra cá, a idéia veio da Andy, indicara a compra da casa no vilarejo. Fazia parte do sonho, era um dos itens de ‘coisas a se fazer antes dos trinta’. No início eu recuei, temendo cometer alguma burrice, desconversei, falei sobre a idade, contas a pagar e outras responsabilidades. Desmereci o campo, reclamei dos grilos, “disse que disse” até que ela desistiu, fez bico, me olhou torto e deixou a idéia de lado por alguns dias. Depois ela veio de novo, sorrateira como um gato, me olhou com olhos dengosos, roçou no meu braço, não pude dizer não. Quem diria não àqueles olhos?

Agora a vejo varrendo nosso quintal, mete a vassoura pelos cantos onde resolveu plantar lírios. Eu nem sabia que ela gostava de flores e agora está lá, com terra até os joelhos, sorrindo pra mim daquele jeito. Alice também se diverte, tropeça pelos lados e dispara a latir. Contei que ela aprendeu a latir? É claro que contei! Quem mais se preocuparia com a aquisição de linguagem de uma vira lata? Aqui perto tem um lago, outro dia, enquanto fazia minha corrida matinal, percebi que logo enfrente existem várias casinhas rústicas, arte nouveau, talvez. Levarei você para visitá-las, eu sei que arquitetura sempre te encantou. Estou esperando sua visita, aprendi a fazer aquele bolo que você tanto gosta. Vê se fica bem.

Abraço,

Natallya.


"Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra. É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama... "

William Shakespeare)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Outra página em branco. Maquiagem retocada. Barulhinhos de teclas do teclado. Outra noite mal dormida, sem travesseiro e com os pés descobertos. Outra vez o coração se esqueceu de bater, tremeu após o segundo soluço e se deixou levar. Outra vontade de correr, de saltar muros, de apostar corrida no asfalto... e de fazer todas aquelas coisas que deixei de fazer por me doerem as juntas.

domingo, 24 de outubro de 2010


Tenho dias lindos, acuados e enigmáticos. Tenho dias de saudades incontáveis, de medo e de uma insegurança espantosa. São tempos em que não olho pela janela, não me penduro, não freqüento cozinhas, não tranco portas e não faço uso de bebidas alcoólicas.

Passo a maior parte do tempo deitada, com olhos encharcados e um aperto no peito... que é pra não correr o risco.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Tem cowboy, boiadeiro e mulher pra todo lado


A cadeira estava vaga. Era um espaço não preenchido, desde que o pai se fora. Seu pai era uma figura honesta, cabelos grisalhos e fios clandestinos no pescoço acompanhavam a fisionomia carrancuda. Ele não estava morto, desaparecera assim, há seis meses, quando na cidade ocorreu uma festa de peão. Adorava o gado, o cheiro de esterco e a voz de narrador de rodeio. Cantarolava sertanejo caipira e música de raiz durante a maior parte do dia. Mascava capim com o canto da boca, tinha a barra da calça rasgada e usava um cinto de fivela antiquado que fora herdado do avô. Ninguém imaginava que um dia ele arrumaria suas trouxas e escaparia com um peão.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010


“A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias.” - Arnaldo Jabor

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010


Francamente, eu não sei. Sou paranóica mesmo, dessas com carteirinha e carimbo de autentificação. Frequentadora assídua de terapias em grupo e conversas em bar de esquina. Fã de música brasileira,de frases bregas e pessoas suspeitas. Não tem muito segredo pra lidar comigo, além de uma boa dose de humor e a cabeça no lugar, não há outros requisitos. Ah! Não é necessário ter experiência, adquirindo-me, no fundo da embalagem há uma manual de instrução para uso. Não preciso de muito espaço, apenas é recomendável que esteja em lugar arejado e sobre temperatura ambiente. Antes de obter é indispensável que se tenha às mãos uma folha de papel e muita criatividade, que tenha um guarda-chuva acessível para quando a chuva cair, que goste de lembrancinhas, assuntos estranhos e de crianças.

Não aceitamos devolução.

Edição limitada e única

Disponibilidade no mercado: nenhuma.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010


Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Oswald de Andrade

terça-feira, 14 de setembro de 2010


"Eu te recebo de pés descalços: esta é minha humildade e esta nudez de pés é a minha ousadia." C. Lispector

sexta-feira, 10 de setembro de 2010


É de manhã, não chove há dias e a gente mal consegue respirar. Queria mesmo estar preocupada com isso. Mas não! Estou metida numa porção de pensamentos maçantes. Desses que a gente não sabe se mete à bicuda ou deixa deslanchar sem querer. O pior de tudo é que eu nunca me contrariei tanto como agora.

Impressionante, há exatos seis dias, eu sentia um enorme ódio de você. E o ódio, como todo sentimento doentio, deveria me fazer não pensar em nada. No entanto, cá estou... Impactada pelo ‘espírito de identificação’. Cheia de angústia, preocupada com você, almejando ajudar, acudir, amparar, auxiliar, proteger. Nessas horas eu me esqueço de tudo e digo:
- Certos sentimentos só se curam se forem amputados.
Eu desejo a você a força necessária para enfrentar tudo isso, abraço.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010



Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

(Alvaro de Campos)

"Desde que eu respirei às vezes o sopro suave
De tua alma , perfume de tua sombra enterrada,
Desde que me era dado ouvir um ao outro me chamar
As palavras que se derramam no coração misterioso,
Desde que eu vi chorar , desde que eu vi sorrir
Sua boca em minha boca e seus olhos em meus olhos..."

Victor Hugo

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

E parecia que era minha aquela solidão

Não, não se deixe levar. Não se esqueça de pentear o cabelo pela manhã, não use aquela camisa amarrotada e cheia de buraquinhos na gola. Não se deixe desviar pelos sentimentos impróprios. Dirija com cuidado, respire fundo e cante uma canção (que logo você se acalma). Não tenha medo do escuro, nem das pessoas desconhecidas. Não desista rápido demais, não deixe de demonstrar carinho pelas pessoas que te querem bem. Não extrapole em horários, bebidas e amores... se preserve. Não fuja das situações, se arrisque um pouco mais, um pouco menos. Não seja tão previsível, não vá embora sem se despedir.

sábado, 28 de agosto de 2010


Cansei dessa merda. Cá entre nós, hoje é sábado, tá fazendo um calor da porra, acordei cedo, bati o joelho na escada e tropecei enquanto tentava abrir o portão. Não, eu não estou de TPM nem nada disso. Além do ‘inferno astral’ que nunca passa, nada de novo aconteceu comigo. Pronto, agora você deve estar pensando: “- Ai que saco de garota, deprimida, puta e mal-amada." Se não quiser continuar a ler, sai fora. O blog é meu e escrevo nele o que der vontade. Ai meu Deus,vou perder todos os seguidores. Vou tentar de novo, caros leitores, cansei. “Me cansei de lero lero, dá licença mas eu vou sair do sério.” Eu to cansada de ter que me policiar toda hora a respeito das coisas que digo ou faço. O fato de fazer Letras, ser filha de pais cristãos e me vestir como um emo alternativo, não quer dizer que eu seja assim. Eu tenho dificuldade com vírgulas, sou redundante e escrevo textos com marcas de oralidade. Ah! Eu não tenho tempo e nem paciência para textos (grandes) sobre lingüística aplicada, nem sobre crítica literária. O que na verdade sinto vontade de dizer aos professores que exigem resenha de tais livros é: enfiaessetextonocupraversemantémelequentinho

- Professor, você pode adiar a data de entrega?

Sobre o cristianismo, o que provavelmente causou (ou vai causar polêmica nesse post), eu sou filha de pais cristãos, e? São pessoas diferentes, vidas diferentes, personalidades diferentes, doutrinas diferentes. Entenderam? Não me associe a isso, não me cobre, não me encha, não tente me impor Deus. O meu relacionamento com Deus é PROBLEMA MEU, entenderam? Se não quiser uma má resposta, não se intrometa. Quanto ao resto das coisas que andam me tirando do sério, vou deixar pra reclamar na próxima vez, é que vou nadar. Você não leu errado, como parte da citação de um livro de auto-ajuda: Vá nadar na hora do almoço.

"Estou saindo do meu serviço, tenho uma hora de almoço. Preciso comer, fazer a unha, estudar para a prova da faculdade, visitar amigos e lavar a louça. O que fazer? Apertar o foda-se e ir nadar."