
Eu tomo remédio.
Não é sempre, eu confesso. Deve ser por isso que as noites às vezes me deixam tão serelepe. O que me encabula é que dia sim, dia não, tenho sempre um humor escancarado, aberto, que logo desaparece no dia seguinte. É meio pílula mesmo, movida a sentimentos felizes, tristes e possíveis fatos.
Remédio pra lá, remédio pra cá. Fico brincando para ver se faz sentido. Eu anoto tudo, fantasiando as várias possibilidades de encaixe, no meu pensamento, no meu corpo, e tentando adivinhar um dia para cada coisa. Parece um pensamento safado, desses que lhe passam a mão, parece até pecado. Mas não é, eu sei que é apenas uma ideia engraçada, coisa indecente, mas boa.