sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Um capítulo sim, outro não.


Para começar assim de uma hora para outra, sem perder o fio da meada, eu fiquei remoendo as palavras (uma a uma) e costurando-as pela noite adentro. Eu me dei conta que já não posso manipulá-las ou entendê-las na mesma rapidez que fazia há meses atrás. Lá de fora (onde a falsidade não vigora) eu fui buscar a felicidade, a mesma das novelas mexicanas, com personagens e finais (melosos) felizes.

Chovia, era uma chuva bem fininha, dessas que molham a gente aos poucos e dão de brinde um resfriado. Eu não sabia por onde começar, e era noite (convenhamos que não fosse a hora mais apropriada para buscar a felicidade), mas eu insistente fui bater à porta mais próxima.

Um moço alto e sorridente me atendeu. Parecia até que a guardava ali, perto da lareira. Entusiasmada eu fui perguntando de uma vez e sem escrúpulos.

- O senhor sabe onde eu posso achar a felicidade? –disse eu

Ele se fingiu de desentendido, desconversou e disse que eu não deveria sair por ai perguntando isso às pessoas.

Constrangida, pedi desculpas e sem querer atropelei um monte de palavras que estavam atravessando a rua. Não preciso dizer que elas me fizeram caras e bocas, aquilo me soou como um beliscão. Definitivamente, eu não servia para essas coisas.

Continuei subindo a rua até que me sentei na calçada, eu ainda tinha aquele bloco de papel e um conjunto de versos escritos na noite passada. Aquilo já era o meu começo de drama mexicano, eu representava o papel de protagonista, que chora um capítulo sim, outro não. Estava chegando perto da felicidade, tinha certeza disso. Acabei pegando no sono e quando acordei já era manhã, bem cedinho. Tudo não passava de um sonho, meu texto recém escrito (e amassado) estava debaixo do travesseiro, com a frase de sempre destacada no canto da folha:

‘A minha felicidade está sonhando. ’

Um comentário:

Luiza disse...

nossa muito bom esse texto!adorei quando vc atropelou as palavras que atravessavam a rua!:D